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Reflexões pelas trilhas
Postado por: Tong Cheong Ming

Andar é uma das melhores atividades físicas. Movimentamos o corpo todo. Uma combinação perfeita juntamente com a respiração adequada. Ótimo momento para falar consigo mesmo, para reflexões, conhecer um pouco mais de si. Vencer nossas limitações. Caminhar pela trilha no meio da mata, atravessar riacho, pisar em solo rochoso, escorregar na lama, tropeçar nas raízes das árvores, uma corda para auxiliar de vez em quando, tudo isso para chegar ao topo da montanha. Tem um ditado popular onde diz que o “trilheiro” sobe a montanha para ficar mais próximo do criador. Quantas vezes já me perguntaram quanto tempo levei para chegar ao topo de tal montanha. Hoje essa pergunta não tem mais sentido. O objetivo não é mais o topo da montanha, e sim o caminho percorrido. Temos muito mais a aprender pelo caminho. Nossos sentidos ficam em estado de alerta total. Observamos as várias tonalidades de verde que existem nas matas. Tipos e tamanhos diferentes de folhas, colônias de cogumelos. Os sons dos galhos batendo, o zunido dos insetos, canto de pássaros, as águas da cachoeira caindo. De repente aquela brisa refrescante, o cheiro do mato, enfim, se fosse só pra chegar ao topo da montanha, perderia todo esse espetáculo que a natureza oferece.

Uns fazem caminhada para ter o corpo sarado, outros por questão de saúde e temos ainda aqueles que querem somente conhecer os lugares.  O interessante é que esse trinômio: corpo, saúde e conhecimento não sejam dissociados. Fazem parte da natureza humana. Não tem como separarmos o físico, mental e espiritual. O corpo humano é um microcosmo dentro de um macrocosmo. “The chief function of the body is to carry the brain around” em tradução livre: o propósito do corpo é levar a mente para passear, atribuída a Thomas Edson, reflete muito bem a máxima “mens sana in corpore sano” de Décimo Júnio Juvenal, poeta romano nascido entre os anos 50 e 60, autor das frases mais irônicas dos costumes do Império Romano. Mente sã em um corpo são é a busca do equilíbrio e harmonia do homem com a natureza. É saber que cada ato simples tem uma correspondência na natureza.  Na respiração, por exemplo, a seqüência é: inspirar, pausa, expirar e pausa; segue o mesmo ciclo natural das quatro estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Na respiração liberamos gás carbônico, que é absorvido pelas plantas e árvores e através da fotossíntese libera oxigênio que respiramos. Como se vê tudo tem correspondência.

O corpo é uma máquina maravilhosa e a conhecemos tão pouco. Após algumas horas de caminhada, num sobe e desce pela trilha, a respiração torna-se ofegante. A roupa encharcada de suor, os músculos doendo. Damos uma pausa, bebemos água, comemos algo e respiramos fundo para continuar andando. O que acontece com o ar que respiramos? Será que só os pulmões que trabalham? De onde vem a energia que nossos músculos necessitam?  Por quê doem os músculos? Todos os órgãos estão funcionando em harmonia como uma orquestra afinadíssima. Todas as células dos músculos estão respirando. Como acontece na presença de oxigênio, é chamada de respiração aeróbica. E estão trabalhando freneticamente para produzir energia. Essa energia tem nome: adenosina trifosfato ou simplesmente ATP. Ela é produzida pela quebra das moléculas de glicose (açúcar) e lipídeo (gordura, ácido graxo). Essa quebra acontece primeiramente no citoplasma e depois dentro da mitocôdria, que é uma organela existente dentro das células eucarióticas. A molécula de glicose tem uma cadeia com 6 carbonos (C6H12O6). Ela é quebrada em duas moléculas idênticas com 3 carbonos (C3H4O3 - ácido pirúvico), gastando inicialmente 2 moléculas de ATP como combustível. Esta fase que é chamada de glicólise e acontece no citoplasma, após 10 reações químicas, muitos átomos de hidrogênio (cátion H+) foram liberados. Isso deixa a célula muito ácida, podendo até matá-la. Como a natureza é sábia, colocou dentro da célula um receptor que captura esse hidrogênio e tira a sua acidez (H). É o NAD (Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo) – uma coenzima transportadora de elétrons que é formada na glicólise e auxilia na produção de mais ATP.

A molécula de ácido pirúvico entra na mitocôndria (matriz mitocondrial) e se junta a coenzima-A, formando o acetil-coenzima-A. Esta molécula se junta a outra de ácido oxaloacético e forma o ácido cítrico, que tem 6 carbonos. Nessa etapa a molécula de ácido cítrico é quebrada até ficar com 4 carbonos (volta a ser ácido oxaloacético) que junta de novo com o acetil-coenzima-A e a quebradeira continua. É o ciclo de Krebs (Sir Hans Adolf Krebs, 1900-1981). Neste quebra-quebra ATP são formados e hidrogênio também. Aí entra de novo o NAD e transporta esses elétrons, cuja energia também será aproveitada pra fazer mais ATP. É importante lembrar que até a presente fase (ciclo de Krebs), a molécula de glicose (cadeia de 6 carbonos) foi quebrada totalmente, isto é, transformados em 6 moléculas de gás carbônico (CO2) que é expelida durante a respiração.  Podemos concluir que quase tudo que comemos sob a forma de carboidrato e gordura, depois de oxidado, vira gás carbônico. Por isso as atividades aeróbicas EMAGRECEM.

A parte mais bonita vem agora. É a da fosforilação oxidativa, é a respiração celular propriamente dita. É nesta etapa que ocorre a maior produção de ATP e acontece nas cristas da mitocôndria. O NAD transporta o hidrogênio até as cristas mitocondriais onde estão os citocromos, que são enzimas aceptoras de elétrons e esse hidrogênio combina com o oxigênio formando água e mais energia. Este trabalho tem ainda ajuda da coenzima FAD (Flavina Adenina Dinucleotídeo) formado na etapa do ciclo de Krebs, que também é um transportador de hidrogênio. No balanço final, para cada molécula de glicose degradada é produzida 38 moléculas de ATP. Ou 36 para alguns estudiosos. Para sabe mais procure o livro Química Fisiológica de Harper.

Para terminar gostaria de citar uma frase que estaria inscrito no pórtico do Templo de Apolo, em Delfos, Grécia Antiga e utilizada por Sócrates: CONHECE-TE A TI MESMO. Pois ao conhecer o nosso micro cosmo, estaremos aptos para compreender o macro cosmo. É a partir das pequenas partículas que chegamos ao Todo.
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Comentários
  • Adalberto - 03/10/2009
    adalbertodn@yahoo.com.br

    excelente texto! trocou em miúdos de forma simples e objetivo o que a Bioquímica teima em complicar. Obrigado salvou minha avaliação do bimestre.
  • Adriana - 13/08/2009
    drica30psouza@gmail.com

    Ótimo texto. Me fez parar para pensar porque gosto de fazer trilhas, mesmo que esporadicamente. Gosto do desafio de superar os limites do meu corpo para poder chegar ao topo. Gosto do cheiro da mata, dos sons, das cores. Gosto de sentir que faço parte de alguma coisa muito maior. Gosto de mostrar os arranhões e comentar as dores da trilha como se fossem troféus. Gosto simplesmente de me sentir viva.
  • JOELZA - 18/07/2009
    jj_10101@hotmail.com

    Adorei o texto Tong!!! Um texto perfeitamente redigido por alguém apaixonado por trilhas. É o tipo de texto que só pode ser compreendido por quem também ama trilhas e caminhadas e conhece bem as alegrias e beneficios desta atividade!!!!
  • Renata Grillo - 14/07/2009
    reregrillo@gmail.com

    "Quando se busca o cume da montanha, não se dá importância às pedras do caminho." É mais ou menos por aí...excelente texto, Tong!
  • Gustavo Brant - 30/06/2009
    gbrant@gmail.com

    Muito bom o texto
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