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Calle de Las Brujas – La Paz
Postado por: Tong Cheong Ming

O que leva alguém a visitar a Bolívia? O que é que estou fazendo aqui? Depois de passar mais de 27 horas num ônibus (Rio – Corumbá) e agora sentado numa poltrona do “trem de la muerte” rumo a Santa Cruz de La Sierra, a pergunta ainda martelava. Machu Pichu! Machu Pichu! Trilha Salkantay! Vale o esforço, repetia para mim mesmo, e tentava dormir. Aliás, um olho de cada vez, se é que me entendem.

Para minha surpresa, a Bolívia não era somente um país de passagem. Existem muitos lugares interessantes para conhecer. O Lago Titicaca do lado boliviano oferece paisagens deslumbrantes. Percorrer as trilhas do Valle de La Luna, escolher uma pedra e fazer um pedido à Pacha Mama, e depois levar essa pedra até o Chakaltaya a mais de 5400 metros acima do nível do mar, numa trilha com neve até as canelas. Temperatura negativa. Com os pulmões queimando. Sem poder respirar direito. E tudo isso em La Paz. Isto é, Nuestra Señora de La Paz, nome oficial da capital administrativa da Bolívia, cuja capital constitucional é Sucre.

O trânsito é caótico, param em qualquer lugar, não dão setas, buzinam, e como buzinam. Não param de buzinar. Os ônibus soltam uma fumaça negra e densa que nem eles agüentam. As vans disputam passageiros, quase que a tapas, com seus cobradores dependurados nas portas. Pedestres não atravessam nas faixas. Existem pessoas fantasiadas de “zebras” que empurram e orientam os pedestres para andarem nas faixas, ou zebras.

Quem chega a La Paz de ônibus ou carro, passa pelo bairro de Los Altos. Dá para ter uma visão geral da cidade. Ela fica literalmente dentro de um buraco e a mais de 3.000 m acima do nível do mar. Nota-se que praticamente toda a população tem descendência indígena. As cholas com suas vestes coloridas e seus chapéus estão por toda parte. E mochileiros também, de todas as partes do planeta.

Fiquei no hotel Sagarnaga, situado numa subida no meio da muvuca. Uma rua bem diferente é a Calle Jose M. Linares, mundialmente conhecida como a Rua das Bruxas (Calle de Las Brujas).  É uma ruela íngreme, sem calçadas, com casas deterioradas pelo tempo, onde o ar exala magia e misticismo.  É lá que a população encontra as ervas da medicina indígena no lugar dos remédios farmacêuticos e também as oferendas para curar as enfermidades do corpo e da alma e pedir proteção divina. É o legado soberano de uma raça, que com sabedoria, com fé e na fé, com infinita paciência, onde os mistérios secretos da terra fazem parte da tradição de uma cultura milenar.

O profano misturado ao sagrado. As oferendas a Pacha Mama com seus fetos de lhama, símbolo da fartura, riqueza e saúde, são queimadas, e tudo sob a égide da igreja católica. Tem ainda os videntes que lêem a sorte através das folhas de coca. São os “yatiris” ou bruxos andinos que por R$ 1,50 (um real e cinqüenta centavos) revelam as alegrias e tristezas de nossas vidas. As curandeiras não suportam que tiremos fotos delas. São mal educadas nesse momento. Não gostam de explicar nada. Olho para uma senhora, com o rosto e mãos enrugados, talhados pelo tempo e pelo conhecimento, que aos poucos acabamos nos entendendo através da linguagem universal: respeito e amor. Então ela explica tudo sobre a serventia das plantas, ervas, raízes, talos, etc. e também os variados tipos de oferendas para todos os fins. Nomes estranhos de ervas como: huayruru, chachacoma, huirahuira, pupusa, ayahuasca, estrela da San Pedro, cada uma com sua finalidade de curar o corpo, mas segundo a chola, primeiro temos que curar a alma.
















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Comentários
  • Érika Chrockatt - 09/11/2009
    keka.rio@hotmail.com

    Conhecer culturas diversas é magnífico. Tudo é novo, e surpreende, seja num bom ou mau sentido, e assim, vamos tomando conhecimento do que é vivido em cada cantinho do mundo. Adorei a zebra (um guarda de trânsito atípico), e tive pena da ignorância desse povo quanto as lhamas.
  • Marcelo Badan Ormond - 07/11/2009
    marcelo_badan@yahoo.com.br

    Meu amigo trilheiro sr. Miaggy!!!... Espero em uma de minhas andanças por aí, eu ainda conheça esse lugar com cultura e hábitos bem distintos do nosso país. Forte abraço meu amigo de trilha!!!
  • JOELZA - 07/11/2009
    jj_10101@hotmail.com

    Adorei seu relato sobre Machu Pichu, Tong! Quero muito ir lá e suas dicas serão valiosas! Guardarei essas dicas para quando eu for lá! Bjs pra vc!!!
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