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Pico da Bandeira – MG / ES
Postado por: Tong Cheong Ming

Subir o Pico da Bandeira estava nos meus planos há muito tempo. Conhecer a Serra do Caparaó e suas histórias. Suas lutas e vidas perdidas em nome da liberdade. As páginas ocultas da nossa história recente não contada. Irmãos contra irmãos numa guerrilha fratricida. Num cenário nebuloso que envolveu os municípios de Caparaó, Alto Caparaó, Espera Feliz, Alto Jequitibá, Manhumirim e Manhuaçu pelo lado mineiro e Dores do Rio Preto, Guaçuí, Santa Marta e Iúna pelo lado capixaba.

Segundo Evaldo Dias Heringer, natural de Alto Caparaó e residente em Manhumirim, “A Guerrilha do Caparaó não pode ficar esquecida pela nossa História, principalmente para os habitantes da região do entorno do Parque Nacional do Caparaó. A sua importância se dá por ser o primeiro movimento armado a se levantar contra a ditadura militar ora implantada. Apesar de ser violentamente sufocado, também serviu para fazer aflorar o sentimento democrático e incentivar novos movimentos com o mesmo objetivo, como a Guerrilha do Araguaia, e culminar mais tarde com a abertura política, a anistia aos exilados e presos políticos, a redemocratização do País e o fim da Ditadura Militar com a eleição de Tancredo Neves.”

O Parque Nacional do Caparaó tem uma área aproximada de 318 km2. Criado em maio de 1961, cerca de 70 % da sua área se localiza no estado do Espírito Santo e 30% em Minas Gerais. Mesmo sabendo que a melhor época para subir o Pico é no inverno, resolvi conhecer a primavera da região. Após consultar o site do Climatempo três dias antes da viagem, mostrava que seria ensolarado naqueles dias. Imagina vocês, ensolarado no feriado de Finados, e eu acreditei! Mas tudo bem, vamos que vamos. Mochila pronta, plano traçado, passagens compradas, etc. Acamparei no Terreirão e subirei ao Pico da Bandeira à noite para ver o Sol amanhecer.

Cheguei à Rodoviária Novo Rio debaixo de um temporal. São 22h30min e continua chovendo. O ônibus ainda não apareceu, está atrasado. A rodoviária até que está vazia. Vinte minutos depois eis que chega o ônibus da viação Rio Doce que me levará até Manhumirim, MG. Fizemos a primeira parada em Leopoldina às 02h30min. Choveu a viagem toda e fizemos mais 3 paradas. O ar condicionado do ônibus estava congelando. Acordei já em Manhumirim às 06 horas da manhã. Mais meia hora para pegar outro ônibus até Alto Caparaó.

A paisagem é muito interessante. Milhares de pés de café. Todos os terrenos plantados. Fazendas e mais fazendas de cafezais. Nunca tinha visto uma área tão imensa toda plantada. A cidade de Alto Caparaó em si não tem atrativos. Resume-se numa avenida principal, a Av. Pico da Bandeira. Tem igrejas para todos os gostos. Comida é um caso sério, poucos restaurantes. Bem simples mesmo. Mas se andarmos uns 4 km à frente, encontraremos um restaurante luxuoso para os padrões locais. É o Estância Gourmet. Tem muitas pousadas também. Alberguista por tradição fiquei no albergue Querência. Se paga caro por acomodações bem simples.  Recomendo a Pousada do Rui, perto da praça da igreja católica. A maioria das pousadas oferecem uma refeição na diárias. Para aqueles que querem privacidade, tem uns chalés bem interessantes perto do restaurante Estância Gourmet. Apesar de fazer parte das páginas da nossa história recente, Alto Caparaó é mais conhecida pela localização do Pico da Bandeira. O maior pico que fica exclusivamente dentro do território brasileiro. Os outros dois: Neblina e 31 de Março fazem fronteira com outro país, a Venezuela.

Continua chovendo muito. Andando pela Av. Pico da Bandeira, margeando o rio Caparaó, deparo com uma piscina natural de águas gélida e cristalina. É o poço Claro. O local é bem sinalizado e construíram uma escada em cimento para facilitar o acesso. Segundo a previsão do Climatempo a chuva deve parar nos próximos dias.

Acordei às 6 horas da manhã. O céu estava todo azulado com bastante nuvens. Animei-me em fazer a trilha para o Pico à tarde para acampar no Terreirão e ver o nascer do Sol lá de cima. O guia queria cobrar R$ 300,00 para levar a mim e mais um casal de São Paulo. Achamos muito caro e resolvemos fazer o Pico de dia mesmo. Fomos de jipe até a Tronqueira distante 6 km da entrada do parque. Paguei R$ 3,00 pela entrada. Encontrei com um grupo de 10 trilheiros do Rio que estavam chegando de jipe também. Começamos a caminhada às 10 horas. A trilha é bem demarcada e segue o curso do rio José Pedro. Após uma hora de caminhada começou a chover e ficou nublado. A chuva engrossou e estava piorando. Mesmo assim continuamos e chegamos no Terreirão. Levamos duas horas caminhando. A chuva não dava trégua e a Casa de Pedra, que é um abrigo para montanhistas, estava toda encharcada. O terreno onde as pessoas armam as barracas estava totalmente alagada. O único local seco era a varanda dos banheiros. Após um lanche rápido, demos início à caminhada rumo ao Pico. A chuva com ventos não dava trégua. Caía sob a forma de camadas oblíquas seguidas, como se fossem lâminas afiadas. Não estava preparado para esse tipo de chuva. No troca-troca de mochilas deixei o anoraque no albergue. Totalmente ensopado e a sensação térmica congeladora, disse ao guia que iria ficar ali mesmo. Ficaria aguardando o pessoal que vieram do Rio e que estavam chegando ao Terreirão.  O companheiro da caminhada, um paulista muito gente boa, me emprestou um casaco para me proteger da chuva e do frio. Incentivaram-me a continuar a subida. Andei mais alguns metros já ultrapassando para o lado capixaba. Comecei a sentir as pontas dos dedos das mãos formigarem. Todos estavam literalmente encharcados. Só passei uma situação assim numa trilha na Ilha Grande. Foi quando encarei um temporal com vento sudoeste. Falei para o guia que voltaria daquele ponto. Nesse ínterim passa por nós um casal que estava voltando do Pico. Informaram que estava tudo fechado e muita água descendo da montanha. Aproveitei a companhia e desci junto com o casal. O guia seguiu em direção ao Pico com os paulistas. Eram 12h30min quando saímos do Terreirão e os cariocas chegando. Foi uma descida tranqüila até chegarmos ao setor de pedras. Onde antes era trilha, agora virou cachoeira. Um tombo foi inevitável. Não teve piores conseqüências porque estava usando um bastão de caminhadas. Chegamos a Tronqueira às 13h50min. Levamos uma hora e vinte minutos na descida. Em Tronqueira encontrei o Jorge. Ele fez a travessia Petrópolis Teresópolis uma semana antes com o pessoal da minha amiga Érika e nos encontramos na descida da Pedra da Gávea. Ele tinha me chamado pra fazer o Pico da Bandeira, não vim com ele porque iria fazer a travessia Minas - Espírito Santo. Ficamos conversando e vendo-o fazer o almoço. Arroz, estrogonofe de carne de soja e batata palha. E a chuva continuava forte. Lá pelas tantas apareceram 3 mochileiros. Ficaram no local por 15 minutos e subiram a trilha. Os pardais e canários por aqui são todos “domesticados”. Ficam pedindo comida e comem na mão. Até os quatis são assim.  Às 16 horas apareceu o jipeiro que vai nos levar de volta. Ficamos batendo papo até as 17h50min quando o guia surgiu com o casal de São Paulo. Devido ao frio e a chuva, eles não conseguiram chegar ao Pico. As mãos do guia congelaram e foi auxiliado pelo paulista. Contaram que estava descendo muita água pela trilha e que no Terreirão a água estava na altura dos joelhos. Falaram ainda que os cariocas montaram as barracas na varanda dos banheiros, único lugar seco e em parte protegido da chuva. Chegamos ao albergue às 18 horas. Tomamos um café e penduramos as roupas molhadas. Fui jantar as oito da noite. O guia deu uma carona na caminhonete dele. Do albergue até o restaurante que tem convênio com eles, são mais de 1 km. E fechava oito e meia da noite. A janta na verdade é a sobra do almoço. Nesse item a cidade é muito fraca. Retornei ao albergue nove e meia da noite. O céu estava aos poucos se abrindo. Dava pra ver a lua cheia de vez em quando. Fui dormir.

Levantei cinco e meia da manhã. Maior breu e chovia muito. Voltei às cobertas e quando acordei eram oito da manhã. O tempo continuava do mesmo jeito. Pedi à dona do albergue ligar para a rodoviária e ver a possibilidade de trocar a passagem. Pequei o ônibus das 10 horas que parte de Alto do Caparaó pra Manhumirim. Cheguei a tempo de trocar a passagem para o meio dia. Estarei chegado ao Rio de Janeiro às 19 horas. É o que sempre digo. A montanha não vai sair do lugar. Irei em outra oportunidade. Realmente trouxe o equipamento errado. Em vez de material para acampar deveria ter trazido material para mergulho. Foi muita água. Muita água mesmo!!!


















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Comentários
  • Lucas Maciel - 06/06/2015
    lucasmpm@gmail.com

    Mt legal! Então esses bastóes de caminhada fazem mesmo a diferença neh!
  • marialucia esch - 30/05/2013
    marialuciaesch@hotmail.com

    muito lindo a natureza .
  • Mara - 06/06/2012
    maraflima07@hotmail.com

    Gostei mt do seu comentário. principalmente da parte do material para mergulho kkkk estou indo pra Caparó amanhã e o tempo está mt chuvoso aqui em Minas (Varginha) e em Caparó tb. Espero q eu tenha mais sorte.
  • Fabricio Rocha - 08/06/2010
    fabriciopaixaorocha@gmail.com

    Parabéns pelo passeio. Já peguei chuva lá também... não é brincadeira! Postei fotos em www.verdejava.com.br Abraços! Muriaé-MG
  • Thiago Alldeia - 15/05/2010
    thiagocleitonss@hotmail.com

    Bem interessante a história que contou! Grande abraço
  • Vlamir - 04/03/2010
    vlamir_santo@yahoo.com.br

    Muito bom o relato Tong! Tá de parabéns! Dá pra imaginar o perrengue que deve ter sido. Foi tanta água que até eu me senti com frio. hehe Abraços meu amigo!
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