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Relato de um aventureiro frustrado
Postado por: Leandro Soares

Boa parte da minha vida vivi no bairro de Bangu e desde minha infância olhava para o alto do morro com admiração e curiosidade de desbravador. Queria subir o morro, ver o que tinha por trás dele, aventurar-me, nada mais...

Na minha busca, houve duas oportunidades. Aos 12 anos, por exemplo, com um grupo da escola e, outra vez, mais tarde, com o grupo ecológico AMAR BANGU. Em todas as ocasiões, minha mãe não me deixou ir e continuei a olhar para o alto do morro, como a admirar um amor platônico, de longe.

Tomava a condução, rumo à Avenida Brasil, atravessava a estação de trem e, além da igreja, da fábrica Bangu, mais do que tudo, o horizonte me chamava a atenção para as curvas dorsais da mata, tais como espinhas me deleitavam a visão, ora turva, ora clara, envolta de nuvens de algodão ou mesmo clarões de luz, tocavam-me a alma, num instante único e denso.

Muitas das histórias que me contavam aguçavam minha mente, como a de um aventureiro que se deparou com um cão-do-mato ou mesmo alguém que quase foi vítima de um abismo.

Fico feliz em saber que o parque da Pedra Branca é o maior parque urbano do mundo. Só fico triste com as queimadas e a favelização das áreas, principalmente no trecho entre Realengo e Santíssimo, pois fica evidente o descontrole urbano.

Tentei buscar outras alternativas para fazer a travessia, porém sem sucesso. No entorno dessa região, temos o Viegas, em Senador Camará, área histórica e ecológica lindíssima, mas favelizada e “tomada”; em Bangu, o Sandá e a Favela do 48; em Padre Miguel, além do cemitério do Murundu, mais comunidades e por aí vai....

Esse morro que eu falo com admiração abrange a Serra de Bangu, que fica bem de frente para o bairro; a Serra do Rio da Prata, que vai até Campo Grande, tanto que temos o sub-bairro Rio da Prata nos dois bairros e a Serra do Barata, que vai até Realengo; num outro extremo temos a região da Boiúna e Pau da Fome (na região da Taquara –Jacarepaguá) e bem lá pra trás do morro, a região das Vargens até chegar o Recreio dos Bandeirantes e a Reserva Ambiental da Prainha.

Atualmente, não posso mais fazer tal travessia, pois é risco de vida e aí fica a minha frustração. Há dois anos, conheci o Pico da Pedra Branca pela Travessia Pau da Fome, em Jacarepaguá.

Sempre que olho o imponente morro, penso que os moradores de Bangu perderam o que seria um importante ponto turístico e ecológico, talvez com teleférico, túnel ligando Bangu a Jacarepaguá e mais outras idéias mirabolantes.

O pior de tudo é que os governos passam, as oportunidades passam e o que relato aqui não está restrito somente a esta parte da Zona Oeste do Rio, mas a outras partes do Rio, onde vivemos em clima de euforia com o progresso tecnológico, com a Copa, Olimpíadas, etc, e ao mesmo tempo sentimo-nos reféns de nós mesmos sem a liberdade de ir e vir, presenciando a decadência social e ambiental que nos avassala.
















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Comentários
  • fabio - 11/06/2015
    moreieafabio0@gmail.com

    A 6 anos estou contruindo minha casa e um dia na parte de cima parei para orar eem seguida nao percebia quanto o SENHOR me presentiou com uma vista maravilhosa desse morro obrigado DEUS
  • Alexandre Tenorio - 02/12/2014
    alexptenorio@gmail.com

    Sempre quis subir ao Pico da Pedra Branca para ver a vista de Bangu e Padre Miguel e o que dava para ver do outro lado. Uma vez quando criança subi com colegas mas quando estávamos próximos ao pico, retornamos porque o tempo fechou. Sempre mantive o sonho de criança de um dia conseguir chegar lá. Somente há pouco tempo descobri que o que pensava ser o pico da pedra branca na verdade é o pico da pedra do ponto, pois aquele se sobe pela Estr. do Pau da Fome. Bem, não importa o nome. Importa é ganhar a montanha. Porque é risco de vida? O lugar se tornou problema de segurança pública? Eu não moro mais na região e não sei.
  • Eddie Lopes - 14/07/2013
    crazy.hunter.dreams@gmail.com

    Muito boa matéria,eu sempre tentei chegar as cachoeiras,mas amigos me desencorajaram.
  • Andre Miranda - 13/01/2013
    andremmiranda@globo.com

    Olha Leandro, Tenho o mesmo sentimento. Passo todo o dia pelo outro lado do lindo parque (o lado Recreio, Jacarépagua) e fico olha pra "ele" e pensando em quantas trilhas excelentes poderiam ter por ali se fizessem o mínimo de conservação e se os governantes voltassem um pouquinho para o turismo ecológico na cidade!! Sei que existem algumas trilhas e tal, mas como vc mesmo disse, a falta de segurança me impede de tentá-las. É isso... quem sabe um dia...abs
  • joao - 06/01/2013
    joaodomisterio@.com.br

    eu tive la em cima em agosto de 2005 e se Deus quiser subirei novomente em 2013 e gostei muito da sua materia
  • silvio fernandes - 29/12/2011
    silviorocha77@yahoo.com.br

    Eu me mudei p Viegas, é um lugar tranquilo, muito verde, e tem uma história fascinante, parabéns pela matéria
  • Andreza - 29/05/2010
    a.ramos@friedman.com.br

    Qual não foi a minha surpresa ao buscar uma trilha no site e me deparar com este relato interessantíssimo de um colega querido dos tempos da Universidade... Leandro, você tem toda razão. E como moradora de Campo Grande, concordo e assino embaixo. Nossa região é lindíssima e super desvalorizada pelas autoridades, que por teimarem em não reconhecer seu potencial turístico, daqui a pouco não haverá mesmo nenhum potencial turístico a ser reconhecido.
  • Luisa Fernandes N. do Amaral - 22/05/2010
    luifernaama@yahoo.com

    Muita linda a sua matéria. Realmente muito inspiradora. Quando será que as autoridades públicas perceberão o potencial turistico e ecológico de nossas montanhas, principalmente da Zona Oeste que são pouco conhecidas. Hoje em dia, o governo só quer saber de Copa e Olimpíadas. A natureza fica jogada as favas.
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